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Marta Veloso
Nunca gostei de aplicar protetor no rosto. Nem no corpo, diga- se. Este ano, a La Roche Posay desenvolveu soluções de proteção solar para o rosto com Airlicium,  molécula anti- oleosidade.

Anthelios XL- um gel creme  com cor que  uniformiza o tom da pele, formulado para peles sensíveis não deixa marcas brancas e dá uma sensação limpa numa fragrância fresca. A base de proteção mais segura e natural deste Verão.

O favorito dos meus filhos é  o Anthelios em bruma fresca. Imaginem o que facilita para as crianças usar uma alta proteção em spray microdifundida por uma bruma invisível que não necessita de ser espalhada.
A bruma é tão fina que não interfere caso usemos maquilhagem.
Ambos com proteção 50 são a solução inteligente para os dias de calor que nos esperam.
Fazem parte da minha rotina e não os troco por nada!



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Não falta muito para a amizade que tenho com a Maria Joana faça um ano.
Conhecemo-nos pessoalmente.
É uma mulher movida a emoções, detesta injustiças, e tenho para mim que ,talvez por fazer carreira com mais homens que mulheres, e sendo uma líder nata é amada por muitos e invejada por outros tantos.
Frontal e leal, aceitou falar- nos do assunto mais sensível da sua vida. A sua proveniência, a única coisa da qual não teve escolha nem poder para lutar contra.

Conheçam a Maria Joana.

AM- Vamos começar.
Quando é que soubeste que tinhas sido adotada?

MJ- Soube q tinha sido adoptada aos 3 anos.
Uma vizinha fez questão de me dizer abruptamente.
"Esta mãe não é  tua!"

AM-Lembras- te desse dia?

MJ-Muito bem, apesar da tenra idade, lembro -me inclusivamente que estava a comer um gelado..
Eu chorei horrores..
Fui para casa gritar a dizer
"A mãe é  minha."
A minha mãe agarrou-me e disse,
"Para sempre meu amor."
E isto foi tudo!
A minha mãe,  saiu porta fora, disse meia dúzia de palavrões, bem tipicos de uma mulher do norte, e disse à  vizinha:
"Nunca mais na vida, se dirija a mim."

AM- Nos dias que se seguiram, foi te explicada a tua origem biológica?

MJ-Sou proveniente da barriga de uma toxicodependente, de origem brasileira, e de um progenitor, nortenho, traficante de droga.Fui abandonada no hospital de São João, no Porto, logo que nasci.A minha mãe, era enfermeira na unidade de toxicologia.
Recebeu-me assim que nasci.
E tratou-me os 4 meses seguintes, em que estive internada, a fazer desmame da heroina.

AM-És uma das mulheres mais bem sucedidas que conheço. Tens uma carreira invejável, uma profissão idónea, portanto eu diria que esses genes dos quais és proveniente foram aniquilados pela formação e bondade da mulher que te acolheu. Não estou errada, pois não?
MJ-Não estás! 
Tive a melhor infância e educação do mundo.
Estás perante a mulher com mais sorte na vida.
AM- Sempre que me lembro de ti, e eu conheço a tua história, tenho presente essa frase que me disseste ainda antes de saber o teu passado. " Sou uma mulher com muita sorte". 
Conheceste a tua mãe biológica?

MJ-Sou!
Tenho mesmo muita!
Conheço! 
Aos 18 anos, com o meu primeiro ordenado, fui à  procura.Cresci sempre com esse desejo
Queria saber o porquê.
Todos os meninos da escola, tinham irmãos parecidos, e eu não  tinha.
Isso era tenebroso para mim.
Os meus pais nunca me vedaram o acesso, mas também nunca promoveram   o contacto.Aos 18 e ja independente, quis e fui à procura.
Liguei à  minha irmã,  e disse-lhe, arranja-me um catálogo da Avon e amostras de produtos.Arranjou-me,
Contactei um camarada, e pedi-lhe ajuda, para descobrir, pelo nome, onde a senhor morava.
Ele sendo da policia judiciária, em 2 dias arranjou-me a morada que tanto queria.

Fui ate lá,  eu o catálogo e as amostras.
Bati à porta, de uma linda casa, e dou de caras, com uma mulher,  muito bem arranjada e bonita.
Apresentei-lhe o catálogo.
Sabia tudo de cor.
estudei todas as folhas.
A senhora disse para eu entrar.
Entrei.
Sentei-me, e por entre amostras de perfumes e cremes, disse lhe que era uma mulher bonita.
E fui fazendo perguntas,até  chegar à  sua juventude.
Sim..num condomínio de luxo em Cascais.
Estive 2 horas na sua casa.
A senhora, muito amável comigo, fez uma data de encomendas, gabou-me a destreza linguistica e o sotaque.
Disse-me  que também tinha vivido no Porto, quando chegou do brasil.
Mas que não gostava do Porto.
Lancei-lhe um olhar mortífero.
Perguntou-me porque a olhava assim, enchi-me de coragem e disse-lhe..
"Não torne a dizer mal da minha terra."
Sinto pelo Porto, um orgulho desmedido.

Nesse instante chega o filho..
Ou seja, meu irmão.
Igual a mim...Apresentou-me, e eu fixei-lhe a cor dos olhos...
Pretos, iguais aos meus..
Mas mais bonitos.A pressão em mim, já era muita..
Já levava 2 horas daquilo, quando me dirijo à  porta de saída, ofereci-lhe o catálogo e disse-lhe:
"Eu sou a menina que tu um dia abandonaste!"

AM- E ela?

MJ-O sorriso q tinha, transformou-se num ódio visceral e gritou-me
"Sai daqui seu lixo!
Se te voltas aproximar, mando-te matar.
Tenho dinheiro para te transformar em pó."

AM- Esperavas outro tipo de reação?
MJ-Sim.
Gosto de acreditar, que todos temos capacidade de arrependimento.
AM-Percebeste então que ser abandonada foi o melhor presente que a vida te deu?
MJ-Já o sabia!
Apenas confirmei!
AM- Foste embora depois?
MJ-Sorri, e disse-lhe..
"Obrigada.
É  tão bom saber que sou muito mais corajosa que tu."

AM-Ambas somos mães. Eu não consigo de forma alguma conceber que uma "drogada" que se torna uma emergente, provavelmente por via de um casamento, tenha esse tipo de reação quando é confrontada com o ' bebê" que abandonou. Quero acreditar que se trata de uma pessoa para além de má. Alguém doente. Como foi depois?

MJ-É  sobretudo alguém que não é gente.
Depois regressei à minha casa..
Chorei 3 dias depois.
Muito.
Fiquei horas a observar o mar.
Fui ao porto a casa dos meus pais, sentei-me com eles, e contei-lhes.
O meu pai disse-me que eu era obstinada demais
E que não deveria nunca ter feito nada sem ele.
A minha mãe 
agarrou-se a mim, apertou-me
Apertou-me muito!
E choramos as duas.
Disse-lhe mil vezes" Obrigada".
O meu irmão fechou-se na cozinha
Chorou muito
E disse-me
"És  a maior!
Amo-te eternamente"
Arrumei!
Ciclo fechado

AM-Queria pedir- te que deixasses uma mensagem. O que dirias a essa amostra de gente( perdoem, não consigo de forma alguma ser imparcial) se a tornasses a ver, ou , imaginando que ela lê está entrevista, uma vez que as minhas páginas e blogue têm milhões de visitas ?

MJ-Obrigada!
Deste-me oportunidade de ter a melhor mãe do mundo.
Nunca serás  feliz..porque ninguem o é, sendo ou tendo sido toxicodependente.
Aos outros que te leem, somos nós que construímos os nossos sonhos.
AM-Eu creio que a infelicidade dela nem vem da toxicodependência. Mas dá insensibilidade. Alguém que abandona um bebê e muitos anos depois tem a sorte de ser abordado por alguém do próprio sangue, provavelme nte disposto a perdoar, nunca pode ser feliz. Pode viver a ilusão que o dinheiro lhe dá segurança e conforto, mas jamais lhe dará amor e paz de espírito. A essa senhora só posso desejar que saiba viver com os demônios que ela própria criou. 
Obrigada Maria Joana. 
És o verdadeiro exemplo do fruto da bondade humana, pelo gesto da tua mãe de criação e pelo teu espírito lutador.

MJ-Marta <3
Obrigada eu!
O truque, é  nunca nos darmos por vencidos, e ter a sorte de ter almas puras ao nosso lado.
Sou eternamente grata ao universo, e aos meus pais e irmãos.
Tenho muita sorte!




Sempre fugi desta palavra. Sempre fugi do estigma. Na verdade, desde muito cedo que deixou de afectar-me. Mas depois há dias, como o de hoje, em que o mundo parece ser inundado por fotografias de crianças e eu lembro-me de que não tive tempo de ser assim. Saltei uma etapa. Nunca me faltou amor, mas foi um amor diferente.
Este nunca foi um tema de conversa, como é lógico, por isso não sei precisar a data, talvez tivesse dois ou três anos quando os meus pais me abandonaram. Primeiro ele e depois ela. Ainda bem que era pequena o suficiente para não me lembrar dos contornos da história, que é afinal a minha história.
Não havendo parentes próximos com a possibilidade de nos acolher - a mim e aos meus irmãos - crescemos separados. As meninas foram institucionalizadas e o rapaz ficou com a minha avó até à minha mãe o vir buscar. Perdemos o contacto com ele.
Os anos foram passando e o tempo foi apagando o quanto me custava a realidade. Se isso me fez melhor ou pior? Não sei. Tornou-me diferente, apenas. Talvez mais lutadora, talvez mais fria, talvez menos vulnerável.
Não tive as figuras familiares, mas ganhei amigas para a vida, outras irmãs de coração que sei que irão acompanhar-me sempre. Não, amor nunca me faltou.
Desde nova, embora não soubesse de onde vinha, aprendi a saber exactamente para onde ia e, sobretudo, quem queria ser. Nunca iria permitir que acontecesse aos meus filhos aquilo por que tinha passado.
Hoje sou mãe e sei que consegui atingir já alguns objectivos a que me propus pessoal e profissionalmente. Mas, acima de tudo, tenho orgulho no meu percurso, no testemunho que lhes vou deixar.
Pode parecer uma frase feita, mas eles têm um estatuto que não é equiparável a qualquer outro. E embora gostasse de lhes proporcionar tudo o que de bom o mundo tem para oferecer, procuro educá-los segundo os princípios que também recebi: dar valor a pequenas coisas, ao próximo e ao conhecimento.
Porque, no fundo, tempo, atenção e mimo são o que de melhor podemos dar-lhes. Ser mãe, no verdadeiro significado da palavra, é o melhor legado que posso e quero transmitir-lhes.
Por isso, e embora hoje seja um dia especial para os miúdos (e mais graúdos), todos deviam ter o direito de ser criança. Todos os dias.



por 

Andreia Mota

jornalista e colaboradora do blogue


Se fazem favor, hoje não vamos falar de Amor.
Pelas mensagens que enviam, pelo estado da maioria de nós, dá para entender que não há grande predisposição para sentimentalismos nos dias de hoje .
Talvez sejamos nós os errados em querer viver um sentimento pelo qual aguardamos toda a vida. Depois vamos sujeitando- nos, tolerando o intolerável e no fim ainda somos as putas que não os largam, ou não passam de umas iludidas, crianças, ou ainda se riem com os amigos do estado caótico em que deixaram as nossas vidas.
Manteem se no comodismo, a saltitar de caso em caso, e proibem- se de sentir a dois mais que orgasmos.
Descobri tarde, mas descobri. O sexo a mim não me basta. Preciso de muito mais que isso.
Adoro sexo. Mesmo, mesmo. Não tenho tabus.
Mas não me consigo entregar a corpos estranhos, nem estar com alguém que não voltarei a ver ou imaginar que essa pessoa horas ou dias depois cai em outros braços..
Se é este o amor dos dias de hoje, prefiro estar sossegada . Não crítico quem esteja por estar. .Mas, não consigo   . Já dei para essa freguesia e não é a minha onda.

Tenho mais que fazer. Sou das que se apaixona a sério. Portanto, get away. É como sofrer de uma doença . Afastem- se que não sou boa.

Sou bem mais feliz assim. Consciente.


Uma foda não te acrescenta nada. Mas um Amor verdadeiro, completo, acrescenta- te todas as fodas da vida. As que valem a pena.
E o melhor, é que podes repeti- las sempre que quiseres.
O Amor não é algo unilateral, e, sinceramente, não o imagino sem sexo ( pelo menos até uma certa idade LOL).
Fodam. Mas, principalmente amem. Amem tanto que não saibam se é Amor ou tesão. Amem tanto que não se imaginem viver sem quem vos faz sentir a união dos corpos e da alma.
Lamento, mas não acredito em amor sem sexo.
E não concebo sexo sem Amor. Estou antiga, se calhar. Mas tenho a certeza que sou muito mais feliz assim que a viver ilusões e desilusões consecutivas
.
É impossivel resistir à roupa de Verão. De criança então, parecem autênticas obras de arte. Pormenores minuciosos que captam a atenção.Eu tive dois meninos, portanto usava e abusava de cores claras, garridas, alegres, já que tinha que "fugir " ao rosa. No entanto, também as meninas ficam maravilhosas de azul.É tudo absolutamente perfeito, as pequenas bermudas, os minusculos bikinis arrancam-nos sorrisos involuntários.
Agora que os meus bebés cresceram, já escolhem o que mais gostam. Cores mais "adultas", escuras, pasteis, enfim, boys will be boys.

Ainda assim , não resisti a mostrar-vos estas delicias. Para mais detalhes, clica sob as imagens, para saber preços, tamanhos disponíveis etc.



Tinham saudades de um passatempo Cupido Shop? A loja mais marota de todos os tempos?
 Lá , podes encontrar de "brinquedos" a lingerie,  artigos para despedidas de solteiro, afrodisíacos,  vestidos,  sapatos,  acessórios e muito, muito mais.  Os preços  são  os melhores do mercado e a variedade é  imensa.

Desta vez temos para oferecer um kit sensual de fim de semana .
Para participar,  basta ter gosto na Página  de Facebook da Cupido Shop,  na da Essenciais por Marta V e partilhar publicamente . Podes também  seguir o instagram @martavblog.
O passatempo termina dia 13 de Junho. Quanto mais partilhares maiores as hipóteses de ganhar  . 
Não esqueças de preencher o formulário para validar a tua participação .
Boa sorte!

a Rafflecopter giveaway
Há lá coisa mais fofa que os pés dos bebés? Perfeitos, com cheirinho a água de colónia, macios.
Os pés dos bebé merecem o melhor. Conforto, é que ergonómicamente sejam adaptados à fase que atravessa. O gatinhar, primeiros passos. A sola é muito importante para promover o equilíbrio , o facto de não ser derrapante também. Evitamos escorregadelas e quedas.
Selecionei alguns que achei lindos.

Para mais detalhes e consulta de preços clica nas imagens.


A poucos minutos de completar 40 anos, vou dedicar este post ao que me move.
O Amor.
Soube finalmente o que era sentir essa palavra tão mencionada por poetas e artistas de todo Mundo.
Todos tentam descrever o sentimento, mas cada um o sente à sua maneira.

Tudo começou com um olhar.
Terno, de admiração, o tipo de olhar que jamais tinha visto.

Tudo terminou quase sem palavras  . Sem som. E se momentos antes só havia amor, naquele momento   as prioridades foram revistas e mudaram duas vidas. Aliás, mais
.
No Amor vou até ao fim. Luto enquanto acreditar que existe reciprocidade, esquecendo a capacidade de iludir e manipular. Talvez a minha necessidade fosse tão grande, que não tivesse outra escolha, senão a de acreditar. Talvez o "buraco" onde tinha caído fosse tão fundo que aquela era a minha única bóia de salvação.
Como é lógico, tive inúmeros indícios que não resultaria. Tenho pouco de estúpida. Tanto quanto tenho de fé nas mudanças e em milagres, embora pouco o confesse .
Não foi apenas um relacionamento que chegou ao fim, foi parte de mim que morreu. Foi uma das razões que me fazia acordar todos os dias com um sorriso, ansiar por certos dias .
Havia muita coisa errada. Apesar de intensa era uma relação cheia de altos e baixos. De brigas, ciúmes, quase obsessiva.
De um momento para o outro, e quando pensei que estávamos apenas a passar por mais uma situação menos feliz veio a sentença final.
A separação.
Cada letra dessa palavra fere- me.
Não vou em conversas que deveria levantar a cabeça e não pensar mais nisso.
 Penso o tempo que tiver que ser. A dor há de ser exorcisada​.
Seja pelo próprio tempo, ou com a percepção dos danos que tudo isto me causou.
Estou em paz. A tristeza será temporária, e de certeza que me ensinará alguma coisa.
Não me sinto a mesma de há uns dias. Tornei- me descrente, desconfiada. Desinteressada.
Não procuro nada, nem ninguém.
Já tive as respostas às minhas questões.
Foram bastante mais duras que alguma vez poderia ter pensado.
Eu não brinco com ninguém. Valorizo o próximo e respeito sentimentos, logo, não compreendo a razão de tanta coisa quando o objetivo era afinal nenhum.
Desejo sinceramente a maior felicidade do Mundo, e peço a Deus que me desvincule desta sensação triste.
Agora, é hora de recomeçar. Muito trabalho, mudar de casa, divertir- me com os meus filhos e amigas, e aproveitar o melhor que a vida tem.
Afinal, há vários tipos de Amor

.

Conheci a Silvia num grupo que criei onde a amizade é o mote. 
Ali   trocam- se ideias, desabafos, estados de espírito. É um grupo maioritariamente feminino, e após as apresentações esta mulher, que nasceu homem, apresentou-se de forma inteligente e com algum receio talvez das reações , assumindo ser transexual e lésbica.
Já foi casada, como homem, com uma mulher que amava muito. Tem uma filha e decidiu lutar pela sua felicidade, dando início a um processo que é ainda algo raro no nosso país. A mudança sexual verdadeiramente dita.   Vamos conhece-la.

AM-Posso saber a tua data de nascimento?

S-25 de Abril de 1973. Um ano antes da revolução 

AM-Vais desculpar - me mas existem assuntos em que sou uma leiga. Conhecemo-nos pouco, prefiro fazer perguntas que sejam consideradas ridículas que morrer na ignorância.

S- Eu sempre disse que nenhuma pergunta é ridícula quando o intuito é o de aprender.

AM-Como foi a tua infância?

S-Foi uma infância normal, acho. Tenho recordações boas. Nunca tive propriamente revelações precoces da minha feminilidade, mas nessa altura acho que as crianças nem querem saber disso. São crianças e pronto.

AM-Em 1973 nasceu um menino, é isso?

S-Tenho uma irmã. Brincávamos muitos com bonecas, tínhamos muitas brincadeiras que normalmente se atribuem às meninas, mas também jogava à bola. Por isso não acho que esse aspecto seja revelador de coisa nenhuma.
Prefiro dizer que nasceu uma menina no corpo de um menino. Mas sim, em termos leigos, nasceu um menino :)

AM-Como se chamava o menino?

S-As pessoas como eu não gostam de referir esse aspecto. Por vários factores, mas principalmente porque nos lembra uma vida que tivemos que viver e que não era a nossa.

AM-Posso perguntar te em que cidade nasceste ?

S-Nasci e cresci no Porto.

AM-Quando é que percebeste que alguma coisa estava errada?

S-No início da adolescência.
Nessa altura comecei a sentir necessidade de me vestir como menina, de ser uma menina. Mas ao mesmo tempo lutava contra isso, porque sentia que era errado. Tive uma educação católica um bocadinho rígida.

AM-Falavas nisso com a tua família?

S-Nunca! Pra mim era impensável falar com quem quer que fosse, família ou outra pessoa qualquer. Sentia uma vergonha imensa.

AM-Então... Como fizeste para ir de encontro aos teus desejos?

S-Lutei contra eles. Castrei-me. Sentia que era uma aberração. E anulei-me. Na altura não havia a informação que há hoje, não havia internet. Eu não queria ser assim. Sentia vergonha. Mas ao mesmo tempo, rezava todas as noites por um milagre. Para acordar no dia seguinte no corpo certo. Só que nunca acontecia...

AM-Entendo. Aliás, para entender a transexualidade imaginei como seria se nascesse homem, com o meu interior. Sou hétero e super feminina. Acho que deve ser uma prisão asfixiante.

Quando é que se deu o " milagre"?

S-É importante referir que só iniciei o meu processo com 38 anos. Já casada e com uma filha. Foi aí que comecei a procurar ajuda. No início só queria respostas. Só queria saber o que se passava comigo.
Foi uma luta imensa, até porque amava muito a minha mulher e tinha conseguido a vida com que sempre sonhei. Construir uma família, ter filhos e uma vida estável.

AM-Mas contínuas a gostar de mulheres. Certo?

S-Sim. Como o meu médico me dizia, passei de homem hetero a mulher lésbica. Não faço a coisa por menos ;)

AM-Que tipo de médico se procura? Cirurgião plástico?

S-No início é um psicólogo ou psiquiatra. Coo na altura eu vivia nos Açores, comecei por uma psicóloga. Como não havia lá ninguém especializado nesta área, encaminharam-me pra Lisboa. Mas é necessária uma equipa multidisciplinar. Psicólogo, psiquiatra e endocrinologista ou sexólogo clínico. Na fase das cirurgias é que vem o cirurgião plástico.

AM-Neste momento es uma mulher realizada. Estou certa? Conseguiste um milagre ?

S-Ainda não. Faltam alguns passinhos. Além da cirurgia, falta ainda conseguir arranjar um trabalho que me permita ter a minha independência. Isso é uma cruzada enorme para uma pessoa como eu. Já tive muitas portas a fecharem-se.

AM-Fisicamente, e pelo que vejo és uma mulher muito bonita. Os documentos manteem se os originais ou já houve uma mudança de nome que te evite constrangimentos?

S-Já estão todos mudados. A carta de condução foi o último :) Em relação ao elogio, agradeço e retribuo :) Mas a minha auto-estima já teve melhores dias... é algo em que preciso de trabalhar, sem dúvida.


A-Os tratamentos digamos assim, foram suportados por si?

S-As consultas de psiquiatria e psicologia estão isentas pelo SNS. Mas o resto sim. Consultas privadas, tratamento hormonal, terapia da fala, laser e electrólise... é tudo à nossa custa.
Eu tive que parar com o laser, electrólise e terapia da fala por falta de verba. Um dia retomo.
Mesmo ao nível das cirurgias, só a vaginoplastia, orquidectomia e mamoplastia é que são isentas. De resto tempos que pagar se quisermos fazer.

AM-Na minha opinião, que se calhar não tem muito sustento, mas que a dou porque sou uma chata , este tipo de situações podiam ter uma comparticipação de custos. Não estamos a falar em alguém que acordou e quis mudar de sexo, mas de uma condição que limita o bem estar e a psique. Limita tudo o resto. Arranjar um emprego para além de lidar com o preconceito da sociedade fechada que temos. Gays e lésbicas agora já não são um " problema" tão grande.Mas alguém. Que não se sinta bem com o sexo que nasceu é um pouco visto como ET. Estou errada?

S-Estás certíssima! Eu já senti isso imensas vezes na pele. E o que as pessoas não percebem é que isto é mesmo uma questão de vida ou morte. Porque há transsexuais que se suicidam. Há transsexuais que são assassinados. Há transsexuais que têm que viver na rua. E, claro, há transsexuais que se vêm obrigados a prostituir-se.

AM-Posso perguntar te como reagiu a tua família a esta mudança?

S-Foi complicado... a minha mãe já vai aceitando bem, agora. O que se compreende, porque vivemos juntas. Mas o meu pai e o resto da família... não respeitam os pronomes, não respeitam a minha identidade.

AM-És o familiar excêntrico?

S-A ovelha negra. Ou neste caso, a ovelha arco íris :)

AM-Como é quando alguém se aproxima de ti para um relacionamento? Abres o jogo?

S-Sempre! Logo de início. Mesmo depois da cirurgia não pretendo esconder. Por uma questão de honestidade. E porque não posso renegar quase 40 anos da minha vida.

AM-Já tens a data prevista para a cirurgia?

S-Ainda não. Estou ansiosa. Na realidade são duas. A Mamoplastia e a vaginoplastia. Em locais diferentes. Vai ser bonito, vai...

AM-Burocraticamente falando. Como se faz para deixar de ser ele para passar a ser ela?

S-Burocraticamente falando é muito simples. Tens o diagnóstico feito pela equipa multidisciplinar, chegas ao notário e pedes pra mudar a tua certidão de nascimento. E depois de o notário fazer isso, tiras logo no mesmo local o cartão de cidadão. Tudo junto demora menos de um mês, a correr bem.

AM-Ena. Portugal em grande!

S-Podem dizer o que quiserem, mas estamos à frente de muitos países ditos mais desenvolvidos nestas matérias.

AM-Qual a tua maior dificuldade neste momento?

S-Arranjar trabalho. Sem dúvida. E que as pessoas me tratem como se e não fosse um fetiche, animal de circo ou um ET.

AM-Em que gostarias de trabalhar? Que habilitações literárias tens?

S-Tenho o 12º ano. Fui burra em não ter ido prá faculdade. Talvez um dia... Fiz várias formações, incluindo em segurança privada. A minha experiência maior é na área administrativa, mas evito trabalho de contacto com o público, pra evitar constrangimentos.

AM-És  uma mulher com traços lindos de morrer. Como homem valham me os céus. Tens traços finos, e aposto que após lerem está entrevista muitas mulheres se vão lamentar pela tua orientação sexual. Desculpa. Não resisti

Conheces mais pessoas na tua situação?

S-Conheci, mas são pessoas que não interessam nem à vaca do presépio. Invejosas

AM-Ahahahahah

S-Não tenho culpa que tenham nascido com cara de desastre de automóvel...

AM-Aí tens uma vantagem que deve dar cabo delas

S-É. E depois andavam a inventar histórias sobre mim. Imagina que chegava aos ouvidos da minha ex mulher...

AM-Tens uma vida normal? Porque desempregados é o que não falta...

S-Tenho. Ou tento ter. Agora ando estupidamente caseira, mas tento sair sempre que posso.

AM-Pareces ser extremamente extrovertida. Ou apenas desbocada?

S-Eu não sei se sou introvertida ou se é simplesmente aquele estado de alerta permanente à procura de alguém que me olhe de lado. Agora já nem tanto, mas no começo era horrível...

AM-Queria que deixasses uma mensagem para quem nos lê. Pode ser?

S-A única mensagem que eu gostava de deixar é que nos deixem viver em paz. Sejam pessoas trans, sejam pessoas gay, seja qualquer outro tipo de diferenças. Não julguem. Aproximem-se e tentem perceber. Nós não queremos ser especiais nem superiores a ninguém. Queremos apensas ser tratados como iguais. Nós sangramos como qualquer pessoa e, acreditem ou não, o nosso sangue também é vermelho! Nós rimos, choramos, sofremos e amamos como qualquer comum mortal. Porque é isso que nós somos. Como dizia alguém "A natureza deleita-se na diversidade. Porque é que nós humanos não fazemos o mesmo?"



Estamos cada vez mais próximas do início do Verão. O ar da está quente, o sol tem aparecido e aquecido e lá vão todas as roupas de inverno para a mala e armários.
O que vestir agora?
O que calçar?
Sugiro que simplifiquem. Tons básicos, modelos clássicos e que sejam fáceis de conjugar, adaptando -se a várias estações.
Este ano queremos sentir-nos leves e confortaveis. Felizes e em paz.

Em baixo selecionei alguns must have para esta estação quente.
Para saber preços e tamanhos disponíveis clica sob as imagens.



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