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Marta Veloso
Existem algumas alturas das nossas vidas que são especialmente sensíveis, mesmo que nada de mais se esteja a passar. Talvez seja de mim, bipolar, que frequentemente sinto os meus gatilhos serem despoletados e custa-me a reencontrar o equilíbrio. A paz. Ao contrário do que possam passar toda a tempestade acontece dentro de mim. Não exteriorizo, talvez nas alturas depressivas tenha um semblante mais tristonho.
Estas últimas semanas tive duas situações específicas que se tivesse menos idade, calo, experiência ou o que queiram chamar tinham-me deitado por terra. Graças à arrumação da minha cabeça, ao facto de ter aprendido à força a priorizar o que realmente importa e com quem me importar passei por elas apenas com pequenas mágoas. Chega a um ponto que temos que aceitar que não podemos mudar ninguém e só podemos ajudar quem quer ser ajudado.
A medicação ajuda -me muito. No caso dos bipolares em geral é vital, até pelo risco gigante causado pela ideação suicida a  que a bipolaridade é intrínseca.
E de vez em quando olhamos para o lado e conseguimos ver para além dos nossos problemas e perceber que há quem viva situações inimagináveis , e se mantenha em pé, e que se os outros são capazes nós também somos!
Beijinhos

Marta
Ana Marta veloso

. 
A perda substancial de peso, nos últimos quase 10 meses , veio causar muitas alterações na minha vida. Mas, não pensem que basta cortar o estômago e emagrecer para ter a garantia que não voltamos a ganhar peso novamente. E eis-me chegada a esta nova fase em que quero perder mais dez kg e ao mesmo tempo começo a ser assolada por um apetite voraz. O que difere do meu " eu" anterior? A certeza que não quero mais ter uma vida tão condicionada, com a saúde sempre frágil. A memória da dificuldade em mover-me. 
E a alegria de caber num fato de banho, num bikini, neste mundo tão pautado por corpos padrão, tão limitado pelo preconceito que, por muito que o ignoramos nos faz realmente mal. Agradar a toda a gente nunca iremos, mas podemos pelo menos tentar agradar a nós próprios.
Após a Bariátrica


Vamos ser sinceros e assumir que passamos o ano à espera das férias, e, no meu caso , com férias ou não, tal significa Verão.
E se o Verão do antigamente era sinónimo de calor intenso, aquele bafo quente que quase não deixava dormir , vejo-me em pleno Verão confusa com esta temperatura que nem em Novembro parece fazer sentido.
Ontem estivemos perto do mar, com acesso a piscinas e só eu estava na enorme piscina exterior para espanto dos que lá passavam. E é tão bom ter uma piscina gigante só para nós que estar sozinha foi aquela paz que a cabeça exige, ter o privilégio de poder não pensar em nada. Mergulhar, sentir o silencio e a calma que só isso me dá. Chegada aos 47 e percebo que debaixo de água é o meu sitio preferido. É lá que deixo de ser eu em corpo e passo a ser espírito, livre e estupidamente feliz. 
Hotel Golf Mar


Não sei como cheguei até aqui. Após muitos anos a sonhar com a cirurgia bariátrica, depois de tentar os mais variados tipos de dieta, chegou o dia e , a partir daí, tudo mudou.
 O meu apetite, o meu paladar , a minha auto-estima e o meu corpo.
Perdi perto de 60 kgs, passei de um 4 XL para um L/XL porque fiquei intolerantes a roupa justa. 
Queria muito poder dizer-vos que deixei completamente de comer “ porcaria” mas a verdade é que não quero que a minha vida seja pautada por restrições. Então, obviamente que não como quatro bolos de uma vez de forma compulsiva e incontrolável mas, se for um dia de festa ou se me apetecer, como sim , uma fatia de bolo. 
Como escreveu um sábio, a diferença entre o remédio e a cura está na quantidade , e eu como francamente muito menos doces, carboidratos que comia.
 Salada de pepino passou a ser um dos meus 
“ guilty pleasures” quando me dá a fome fora de horas.
 Também aprendi que a fome aparece mais quando ingiro pouca proteína, então é comum atacar um pedaço de carne ( por exemplo) nas alturas mais inusitadas. 
De facto a proteína e os carboidratos devem fazer meio prato de comida e a outra metade deverá ser preenchida por vegetais , já o faço automaticamente e não vivo sem legumes .
 O que o meu corpo parece menos tolerar são fritos , pão, massas, arroz, batata. E se o corpo não gosta, comemos menos ou trocamos por outros de mais fácil digestão.
O processo de habituação ao novo regime alimentar , após a cirurgia é perfeito para que consigamos reaprender a comer. Passamos uma borracha na forma como nos alimentaram e nos aprendemos a alimentar e nascemos de novo com hábitos mais saudáveis , acima de tudo pensando no valor nutricional do que colocamos dentro de nós. Comigo resulta. Cortes radicais nos carboidratos ou uma dieta que os exclua totalmente não vai beneficiar o cérebro que necessita deles.
 Mas, não tem que ser em forma de batata frita, sim? 
O emagrecimento é resultado de uma diminuição naquilo que ingerimos, no défice calórico, consumir menos que se gasta no dia a dia, por isso o exercício físico é tão importante. Se faço muito exercício físico? Fiz nos primeiros meses , agora , confesso que para já tenho uma vida muito mais ativa que antigamente , já que tenho liberdade de movimentos com o peso que perdi. Só de pensar que não conseguia andar mais que cinco minutos seguidos sem quase cair para o lado de cansaço.
Ainda me faltam dez kgs, vão ser provavelmente os mais difíceis de ir embora já que ando nesta luta há uns dois meses . É normal que a maior percentagem de peso se perca nos primeiros meses , até porque quanto mais perdemos, menos temos a perder e o corpo luta com todas as suas forças para não ficar sem gordura. Já os teria perdido se andasse a ginasticar como em Dezembro e Janeiro mas, infelizmente alguns aspetos na minha vida tornaram-se mais complicados e a minha saúde mental é também uma prioridade para que consiga lidar com tudo .
Sei que vos devo este post há muito tempo, mas não tem havido criatividade, tempo ou paciência para grandes escritas.
As saudades que eu tinha disto. Já nem se usa, ter blogue, pois não?

Bariátrica

9! Meses após sleeve

Bariatrica



Lembro-me da minha mãe  com 50 anos  repetir-se muito. De lhe dizer que já tinha dito aquilo. Mas não valorizei. 
Anos mais tarde é diagnosticada com demência. Alzheimer. 
Hoje tem 64 anos , um marido com o coração desfeito porque a vai ter que internar num lar , porque ela precisa de cuidados  permanentes.
E eu, confesso que  sou grata pela felicidade que deu à minha mãe que durante mais de 30 anos o amou cegamente. Pelos cuidados que tem com ela nestes anos tão tristes . 
Quero muito que ele não morra no  Alzheimer que não sendo dele também o consome. Que tenha ainda muitos anos de vida ,vividos com paz, com o carinho que eu , a minha irmã e o nosso irmão sentimos por ele. 
Sei que se a minha mãe fizesse ideia do que se passa desejaria que ele fosse o mais feliz possível. 
É uma dor muito estranha. 
Já a tinha sentido com o meu avô paterno que aos 80 anos foi diagnosticado com a mesma doença.
Alzheimer

Mas jamais, em tempo algum ,pensei que fosse reviver o mesmo com a Margarida. Afinal, ela é... minha mãe. 
E dói-me saber que os meus irmãos sofrem. Dói -me saber que o  marido sofre. 
Dói -me, porque nunca nos sentaremos para resolver as nossas pendências. 
E sinto uma pena devastadora,  uma mulher que era um autêntico furacão, tinha uma energia incrível e agora não reconhece ninguém, não sabe em que mês estamos ou  se tem filhos ou não. 
O Alzheimer é das maiores Maldições de todos os tempos. Devastador. Implacável. Invencível. Rouba memórias, vidas. Quem somos nós sem as nossas memórias? 
Nesta fotografia estão as minhas duas mães. A avó Mimi, que tem 94 anos, lúcida, autónoma, saudável e a mãe Margarida, com 64 anos , sem memórias. 
Quando o meu avô foi diagnosticado, perguntaram-lhe quem eu era. Ele disse 
 " Quem ela é eu não sei, só sei que é minha". 
A minha mãe já não sabe quem sou. Talvez no escuro da sua memória lá me tenha perdida, a mim e aos meus irmãos. 
Eu sinto-me roubada. 
Como se me tivessem tirado  a mãe na sua essência e me deixassem a " casca", o corpo. 
Não guardo mágoas nem ressentimentos. Sinto saudades . Porque passamos alguns bons momentos. Porque nos riamos muito às sextas feiras quando vinha a minha casa " caçar chocolates" que comia desalmadamente , especialmente quando estava com o período. Porque adorava ir comigo às compras, a Lisboa, adorava não ter que ser ela a conduzir na " confusão".  Adorava o meu bacalhau com natas . Ela não era bem uma mãe. Era uma irmã mais velha, com quem pensei vir a viver muitas coisas boas quando tivesse mais tempo e se reformasse. Sinto uma tristeza , um vazio, um luto sem cadáver, um velório de um defunto que está vivo.
Só queria que fosse feliz. Não isto. Nunca isto. 


A primeira vez que me questionei sobre o meu peso devia ter uns 15 anos. 
Já com 1.75 vestia um 36, enquanto as amigas mais próximas envergavam tímidos 34. 
Era a altura em que trocavamos de roupa, de casacos a tops, camisolas e vestidos. Mas as calças, essas , nunca me serviam.
Aos 15 anos, e depois de perder o meu pai , após ter vivido no limiar da sua perda durante 7 ou 8 anos, lidar com pessoas que se afastavam porque, imagine-se, uma doença terminal , pelo menos naquela altura em vez de apoio ou empatia gerava asco, já que o doente ia perdendo capacidades, cabelo, a pele estava em absoluto declínio ( o meu pai faleceu com Lúpus numa versão bastante severa), o que eu mais queria era " encaixar-me", sentir que fazia parte de algo, ser igual a toda a gente, deixar de ser apontada e excluída.
Então, apesar de caber nos números de roupa convencionais, sentia -me gorda.
Não  era. Tinha uns 62kgs. E sentia uma vergonha desgraçada porque à minha volta ninguém pesava mais de 50, ignorando que tinha em média mais 20 cm que as outras.
Com os anos, e aproximando-me da idade adulta fui ganhando noção e alguma paz, no que ao meu peso  dizia respeito. 

Vieram depois dois filhos, e cada gravidez trouxe-me uns KGS extra valentes que a custo fui conseguindo eliminar .
As depressões assolaram-me a partir dos vinte e poucos e com elas a instabilidade  proporcionou  aumentos e baixas de peso constantes. Medicação que me deixava prostrada, inerte, sedentária e, por sua vez fazia com que as minhas oscilações de peso fossem cada vez mais desestabilizadoras.
Chego aos 45 anos,  após acontecimentos devastadores com um peso que jamais pensei vir a ter. 
Habituada já, a ver nas minhas fichas médicas  " obesa". E aquele " obesa", incomodava-me mais que qualquer " gorda" dito numa rede social ou sussurrado enquanto passava. 
Já com diagnóstico de hipotireoidismo auto-imune e perturbação afetivo-bipolar, a tomar mais medicação nada inocente no que concerne ao peso, vejo-me numa consulta de cirurgia metabólica no Hospital Pulido Valente, depois de vários exames e análises que atestavam que a bariátrica seria provavelmente a minha oportunidade de vir a ter uma vida normal, com qualidade de vida, já que tinha o fígado alterado, a tensão altíssima e um número já elevado de órgãos afetados pelo excesso de gordura no organismo
A minha primeira consulta foi em Agosto de 2022, fui operada em 25 de Setembro de 2023.
Não sou de " dourar a pílula", e embora saiba que exista quem não tenha tido uma dor, confesso que quando saí da cirurgia sentia tantas que me lembro de espumar, literalmente e durante talvez segundos perder a noção de onde estava. Assim que consegui articular palavras para me queixar das dores que sentia , fui medicada e ainda que me doesse até a respirar, as dores foram passando, aos poucos
Não são todos que sentem dor, e, existem hospitais que dão medicação mais forte o que previne o doente de sentir essa dor. Creio que ali, optaram por paracetamol até para vigiar uma possível dor exacerbada que poderia ser sinal que alguma coisa não tinha corrido bem. Pareceu-me que se regiam em que mascarar a dor poderia ser pior que a sentir durante algumas horas e agora, mais distante dos factos , tenho a certeza que fizeram o mais acertado.
Arrependi -me umas 500 vezes nas primeiras horas. 
Pouco depois da cirurgia já andava em suaves caminhadas, agarrada ao suporte do soro, sempre acompanhada por uma enfermeira ou auxiliar , para me livrar do desconforto que os gases injetados durante a cirurgia fossem abandonando o meu corpo e com eles as dores incómodas , desta vez não nas incisões, mas um inchaço generalizado fruto da cirurgia.
Hora após hora, havia uma diminuição lenta do mau estar e da dor. A sede incomodou-me. Mas, após uma cirurgia em que é cortado cerca de 80 a 85% do estômago e este se encontra em cicatrização, nada de água nem qualquer tipo de alimento.
Aquela noite durou um ano.
As enfermeiras foram incríveis, sempre a ver se estávamos bem, se tínhamos dores, a medicar, a ajudar a levantar . Senti-me segura, apoiada e , acreditem que naquela altura é tudo o que precisamos. 
No dia a seguir , esperava-nos um copo de chá gelado, sem sabor. Um copo daqueles de plástico, pequenino. Chá esse que bebi numas duas horas, tamanho o medo da reação do meu tubo digestivo.
Foi-nos dada alta com indicações de ingerir nas próximas 3 semanas apenas líquidos, , sopa bastante líquida, leite, iogurte líquido magro sem açúcar, fruta cozida batida( Deus me livre e guarde, só o cheiro agonia), multivitaminico e proteína para juntar aos alimentos. 
A cirurgia   é ao estômago. 
E o problema é que a raiz do mal está na nossa cabeça. São muitos anos de maus hábitos, muitos anos em que o organismo está habituado a pão, prato cheio, e a esta distância daquele tipo de alimentação já tenho dificuldade em lembrar tudo o que ingeria e que não era assim tão necessário para o meu corpo. 
O verdadeiro processo vem depois da cirurgia. E isso não significa que nunca mais comeremos bacalhau com natas, sushi ou fast food. Significa que serão excepção e não regra. 
Passado um mês , cada vez que vou ingerir algo penso nos nutrientes que tem. Não numa análise exaustiva mas, opto pelo que possa ser mais benéfico para o meu corpo
Açúcares refinados, glúten, lactose, inflamavam-me de tal forma que cerca de uma semana depois da cirurgia, o meu rosto estava diferente devido a essa abstinência. A pele melhorou muito, até na firmeza.
Sei que tenho ainda um longo caminho para percorrer, caminho esse que provavelmente será para toda a vida, mas tudo farei por mais anos de saúde que estava a perder.
É interessante ver as roupas em pouco tempo ficarem enormes, e outras que sequer serviam entrarem no nosso corpo e pouco depois termos de por de parte porque já está grande demais, mas , e ao contrário do que pensei inicialmente, tudo se vai focando nas melhoras da saúde. Na diminuição do cansaço, no aumento da energia. 
Vou dando notícias, afinal, a obesidade e a sua luta estão na ordem do dia e eu sinto-me uma privilegiada pela segunda oportunidade que a vida me está a dar .

Sleeve Gástrico


Marina Machete

Marina Machete tem o título de Miss Portugal 2023. 
Até agora , nas caixas de comentários nas redes sociais existe uma porcentagem enorme de mulheres portuguesas que afiançam esse facto como uma tentativa de roubar o espaço das mulheres " a sério".
 Mas o que são mulheres a sério? 
Eu nasci com vagina, sempre me identifiquei com o sexo que consta nos meus documentos. 
Mas podemos pensar que existe quem tenha nascido com o sexo oposto àquele com o qual o seu cérebro grita e se identifica. Não aprecio a quantidade de letras que se junta a LGBT porque , e perdoem-me, sou talvez antiga e já perdi a capacidade de atualizar o meu " software " para conseguir estar a par de tudo e " todes". 
Estranho muito mais os pronomes que o facto de alguém que decidiu lutar pela sua identidade de género  tenha conseguido alcançar aquilo a que se propôs. 
Sei que existe uma " fracção  estranha" extremista, eu sei lá, que parece querer aniquilar quem nasceu  biologicamente falando, mulher. E não. Não acho bonito. Acho estúpido que se refiram a nós como " portadoras de útero" . Aí já chamo mais inveja que outra coisa. Não tem que haver guerra entre as diferenças. Podemos simplesmente aceitar os outros ? Ser tolerantes como esperam que sejamos? Amar sem ver se nasceu com pila ou não? 
Sou hetero, mas não gosto ou deixo de gostar seja de quem foi mediante o sexo que nasceu. Não amo genitais, amo pessoas. 
Num Mundo com cada vez mais fome, crise habitacional, doenças graves , aquecimento global, racismo, desastres naturais, guerras estúpidas, crimes como femicidio, violência doméstica que todos os anos mata tantas mulheres, pedofilia,  crise na Saúde sem precedentes, a sério que o que vos tira o sono é que a Marina tenha ganho o concurso de Miss Portugal quando é, na minha opinião a mais bonita do concurso? 
Desejo-lhe toda a felicidade do Mundo.
Que a felicidade dos outros nunca nos ofenda. Porque pelo menos neste caso, não tem mesmo que ofender.



Força Marina. 
Após mais de uma década com uma tatuagem que realmente me incomodava , decidi ir cobri-la com outra tatuagem e o resultado não podia ter sido mais satisfatório. Tem que ficar aqui registado. Que fique também registado que quero mais! 

Tatuagem antiga

Tatuagem flores


Por mais séries e documentários americanos que veja, não há absolutamente nada que bata a intensidade das series turcas. Os atores são muito convincentes, há uma mistura de culturas da Ocidental para a árabe , tendo em conta que mais  de 90% dos turcos sao muçulmanos. Aprendemos muito sobre costumes dos mais obsoletos, aos intemporais, das famílias mais tradicionais às mais nodernas. 
Existe apenas algo que é comum . O pudor ,  mais depressa apanham um  padre numa série turca que um beijo na boca entre atores . Às vezes faz falta, para compor a coisa mas , não é o mais importante. 
Podes assistir no Youtube, bastando que coloques o nome da série em turco e escrevas " legendado" , a menos que sejas fluente em turco. 
Vou então dar-vos o nome de algumas séries que não devem perder. Aviso que a Netflix tem tem o " Kara Para Ask" , um romance policial e o "Interception ".

Kirmizi Oda - O Quarto Vermelho- uma série passada no quarto vermelho do gabinete da psiquiatra, que pacientemente ouve os mais diferentes casos e perturbações e procura com o paciente entender o que provoca cada um e como curar. 


Camdeki Kiz - A rapariga na Janela - Nalan, uma jovem bonita, rica, oprimida e maltratada pela mãe casa-se com um herdeiro burro, rico e mulherengo. E é sempre a piorar...


Benim Adim Fahrah - O segredo de Fahrah. Fahrah , de uma família pobre que vive na cave de um prédio, onde os pais são porteiros consegue entrar na universidade e, sentindo-se constantemente humilhada, decide passar-se por rica. 


O kiz.   Rapariga - Zeinepp é filha de um homem de 50 anos com um atraso cognitivo provocado na altura do seu nascimento, então, comporta-se como se tivesse quatro anos, mas é um homem incrivelmente bom, puro e ingênuo. Zeinepp entra no Mundo dos influencers onde é muito bem aceite mas , mostra apenas aquilo que é agradável ao grande público. Foi abandonada pela mãe quando nasceu, mãe essa que vai cruzar o seu caminho. 


Se quiserem mais sugestões, digam!
Novelas turcas

. 
Li esta pergunta perturbadora a primeira vez que me desloquei ao Centro Neurológico Senior aqui em Torres Vedras, uma unidade de saúde focada em doentes neurológicos .
Lá voltei alguns anos depois, desta vez com a minha mãe para receber um diagnóstico de demência e Alzheimer precoce, já que desde os 40 anos que foi mudando o comportamento, tendo episódios em que se repetia, esquecia que já tinha dito algo e a corrigimos como se fosse um lapso inofensivo. 
Embora me tenha sentido sempre pouco amada pela minha mãe , a verdade é que chegamos a uma altura da vida que temos que aceitar que os nossos pais foram o melhor que sabiam e podiam para nós, independentemente que tenham sido diferentes para outros. Há que fazer um reset , perdoar, aceitar, tolerar  que não vale a pena manter mágoas e dores antigas porque nada pode mudar o passado. 
Foi talvez das coisas mais difíceis, quando soube que estava a iniciar um processo de demência, perceber que o pedido de desculpas nunca chegaria, que nunca viria a recuperar o Amor daquela mãe, que foi sempre a minha maior ânsia e desejo. 
E foi difícil porque no dia em que nos deslocamos ao Centro Neurológico aconteceu pela primeira vez ela olhar para mim ,nos meus olhos e dizer-me a sorrir que não sabia quem eu era. 
E custa saber que tudo se desenrola a uma velocidade luz, que as capacidades se perdem a cada dia. Que o que foi não voltará a ser. 
E acima de tudo saber que esta dor de a ver deixar de saber quem é só terminará quando fechar os olhos para sempre. 
Mais uma vez. O que fazer? Aceitar. Está a ser feito tudo para que não lhe falte nada. E eu tenho a certeza que isto acontece em famílias que infelizmente não conseguem proporcionar as melhores condições, o que não é o caso. 
Mas o "sumo", o essencial, não muda. 
É a degradação do ser humano. 
Uma transmutação de ser autônomo e cognitivamente capaz para um ser dependente que não sabe que o é, confuso com tudo o que vê, violento, desorientado.
Porque sem memória somos livros com páginas arrancadas. Não temos história, perdemos a única coisa que reunimos durante a vida. As nossas recordações. Porque , ao fim ao cabo a vida é uma miscelânea de recordações. Sem isso ... nem a dignidade do básico sabemos. E quando acontece numa idade em que normalmente nem nos podemos reformar , sabemos que o universo cometeu um erro. E ninguém quer ser um erro do universo. 

Mãe




 
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