Mulheres

Perdas

janeiro 04, 2019

Estima-se que 10 a 50% das mulheres passem no decurso das suas vidas por pelo menos um aborto espontâneo.

O aborto espontâneo é muito mais frequente que a maioria das pessoas pensa. É a morte do feto antes da vigésima semana de gravidez, ou seja, antes de poder sobreviver fora do útero materno. 
Pessoas com excesso de peso, portadoras de doenças autoimunes, expostas ao fumo, com diabetes, problemas de tiróide, alcoólicas ou tóxico dependentes têm maior probabilidade de sofrer esta que é uma perda subvalorizada pela sociedade.
Para quem está de fora, é um não -problema.  Ficam sujeitos a julgamentos de valor como “ fazes outro e esqueces”, mas , na verdade, não é bem assim. 
Para mim, o que cresce dentro do nosso útero é um ser vivo, desde a concepção. 
Respeito as opções de cada um, no entanto não sou indiferente ao sofrimento das mulheres que passam por profunda tristeza quando perdem um filho, ainda que numa fase da gravidez inicial. Passei por duas gravidezes de termo e, recordo- me de estar com 5/6 semanas e a médica me dizer que devido ao tempo de gestação ainda não era considerada uma gravidez viável, porque são muitos os casos de aborto espontâneo, e isso é algo natural, quase sempre relacionado a problemas cromossómicos ( cerca de 50% dos casos) que devido à idade gestacional são ainda difíceis de detectar seja por análise sanguinea ou por ecografia. 
Em muitos casos, as perdas ocorrem quando o organismo detecta uma falha no ser que se está a formar e de forma inteligente, o espele.
É um assunto bastante delicado, causa tristeza e ansiedade nas mulheres que já se veem como mães e tantas vezes se culpam pelo facto da gravidez ter corrido mal
O luto é imperativo e deve ser respeitado. 
Não significa que haja algo de mal no corpo da mãe. 80% dos abortos espontâneos ocorrem nas primeiras 12 semanas, daí tanta gente anunciar a gravidez apenas após este prazo
Há que entender que a partir dos 40 anos a taxa de abortos expontâneos chega a cerca de 45%, sem que exista problema algum identificado,  a partir dos 30 anos, aumenta a probabilidade.
Achei pertinente escrever sobre este assunto que  atinge tantas mulheres de todas as idades, uma vez que o meu público é maioritariamente feminino e real. 
Não vale a pena adoptar o pensamento que existe infertilidade por se ter passado por uma situação destas. Obviamente que caso se repita deve ser feito um estudo.
 Infelizmente, depois do nascimento do Santiago foi- me diagnosticada endometriose , uma das doenças que muitas vezes é responsável por perdas como esta. 
Há que entender que, a partir do momento em que a mulher descobre que está grávida começa a idealizar uma criança, a imaginar como será, e é aí que se torna mãe, portanto, um aborto é sempre uma perda.

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