Outubro Rosa

Estamos em Outubro, mês da conscialização e prevenção do cancro da mama. Hipocondriaca como sou quis fazer a mamografia e eco mamária há dois anos e estava tudo ótimo graças a Deus. 

A mesma sorte não têm tantas outras mulheres, algumas delas são -me próximas.
Posso dizer-vos que a maioria tem vencido a luta, embora os cancros hormonais tenham uma grande possibilidade de voltar.
E foi isto que me roubou a querida Raquel, em 2019. 
Começou há uns dez anos com um tumor maligno na mama, fez quimioterapia, mastectomia dupla que rapidamente foi preenchida com silicone, e foi " liberada". Considerou-se curada. 
Foi numa altura difícil , altura em que o marido , como se de um rato se tratasse foi o primeiro a abandonar o navio.
Acredito piamente que acompanhar um cônjuge com uma doença grave que requer tratamentos que quase destroem a pessoa, com efeitos secundários terríveis não seja fácil. 
Mas abandonar alguém com quem decidimos construír a vida porque a pessoa adoece gravemente, mostra para além de fraqueza de espírito a falta de carácter. 
Passaram-se anos, altura em que devido ao blogue conheci a Raquel, privámos por diversas vezes, almoçamos, jantamos, divertimo-nos horrores, e depois ela emigrou .
Quando voltou queixou-se de dores lombares. Dizia que devia estar cheia de hérnias. Foi deixando andar como eu e se calhar a maioria das pessoas fazem, tomando um comprimido para as dores. 
Infelizmente as dores tornaram-se de tal forma incapacitantes que foi levada a fazer RM e TAC.
Metástases em toda a coluna,  nos pulmões, e no fígado. 
Não faço ideia e nem quero saber a data da minha morte, ou ter um diagnóstico que me mostre claramente que me resta pouco tempo. 
Como sou desbocada, não tenho vergonha na cara e acho sinceramente que quem passa por estas situações tão difíceis está cansada de ouvir que " vai correr tudo bem" e " vais ficar boa", perguntei-lhe se não tinha medo, poucas semanas antes dela partir. 
Respondeu-me que sim. Que tinha medo da morte, do não respirar, do que se seguiria ou não. De deixar de existir. 
A Raquel tinha a minha idade. Um filho da idade do meu. Tinha muito que viver. 
Nunca a ouvi dizer mal de ninguém. Divertimo-nos imenso com as nossas parvoíces . 
Quando nos vimos a primeira vez , abracou-me e disse -me o quão feliz estava por me conhecer. 
E eu fui feliz por conhecer a Raquel. Por sabê-la uma pessoa íntegra, de sorriso fácil, descomplicada. Grata pela vida, apesar de curta. Com um dos sorrisos mais bonitos que conheci. 
Já vos tinha dito que a morte é algo com a qual lido mal.  Porque me tem roubado gente maravilhosa. 
Confesso que me custou, e aquela dor fininha de perder uma amiga ainda mora no meu coração. Quem sabe se ela tivesse ido a correr ao médico ( como aqui a hipocondriaca da amiga dela)  ainda estivesse entre nós?




Façam a auto palpação. Observem o vosso corpo. Façam exames complementares. Supliquem, implorem aos vossos médicos de família. Infelizmente cada vez têm menos autonomia e liberdade para requerer exames. "Ordens superiores "dizem eles. 
Não sejam mais um número  nas estatísticas. 
Mantenham-se por cá. Cuidem- se e espalhem a  mensagem. Prevenção. 

Cancro de mama





Partilha isto:

Sobre a autora:

Chamo-me Marta, e sou apaixonada pela escrita e pelo mundo da beleza. Em 2013 , após um curso de maquilhagem profissional decidi juntar os meus dois amores, criando este blogue. Gosto de escrever despudoradamente sobre tudo. Maquilhagem, cuidados com a pele, estética, cirurgia plástica e saúde no geral, assim como partilho aqui algumas das minhas crónicas em que abordo tudo o que é possível e imaginário. Venham daí, conhecer o meu Mundo!

0 comentários

Obrigada pelo teu comentário!